Introdução
No contexto do planejamento da cadeia de suprimentos, a determinação de uma demanda consolidada é um passo fundamental para assegurar o alinhamento entre as áreas de Vendas, Operações, Finanças e Logística. É o primeiro passo a ser definido e validado em um projeto de Supply Chain Planning.
Este guia apresenta gradualmente as diferentes abordagens na geração da demanda consolidada, desde cenários simples até mais complexos, incluindo faseamento semanal, inserção do faturado e atualização dinâmica da demanda.
Abordagem Básica
Somente Previsão
Utiliza apenas a previsão de demanda como base para o planejamento. Comum em estágios iniciais ou quando não há pedidos firmes suficientes.
✅ Simples na execução e fácil manutenção
⚠️ Pode não refletir a realidade dos pedidos reais
Somente Pedidos
Utiliza apenas pedidos já confirmados. Comum em negócios orientados a produção sob encomenda (MTO) com horizonte longo de carteira firme.
✅ Maior aderência às vendas efetivas
⚠️ Não permite plano de médio/longo prazo
Combinação Pedidos & Previsão
Soma Simples (Pedidos + Previsão)
A demanda consolidada é a soma da previsão com os pedidos firmes. Exige que os dados de previsão sejam atualizados regularmente, refletindo apenas o saldo.
Requer atualização manual constante do saldo de previsão para evitar contagem duplicada.
Máximo entre Pedidos e Previsão
Adota-se o valor maior entre a previsão do período e o total de pedidos firmes. Se pedidos > previsão, usa-se pedidos. Se pedidos < previsão, usa-se previsão.
💡 Ao combinar pedidos com previsão, o ideal é que ambos estejam no mesmo nível de detalhe, evitando complexidade excessiva e regras customizadas.
Consideração do Faturado
Além da previsão e dos pedidos firmes, considera-se o que já foi efetivamente faturado no mês. O faturamento representa a demanda já atendida e pode ser usado para ajustar a previsão e calcular o saldo remanescente.
Processo de Atualização pelo Faturado
- 1Começa-se com a previsão total do mês
- 2Subtrai-se o que já foi faturado até o momento
- 3Compara-se o resultado com os pedidos firmes ainda não atendidos
- 4A demanda consolidada é o máximo entre o saldo da previsão e os pedidos remanescentes
Faseamento Intramês
Para maior granularidade, a previsão mensal pode ser distribuída ao longo das semanas ou dias úteis, criando um ritmo esperado de entrada de pedidos.
Faseamento por Semana
A previsão é distribuída com base em parâmetros históricos por semana do mês.
• 1ª semana: 10% da previsão
• 2ª semana: 20% da previsão
• 3ª semana: 30% da previsão
• 4ª semana: 40% da previsão
Faseamento por Dias Úteis Restantes
O percentual da previsão é ajustado dinamicamente pelo número de dias úteis restantes, com recálculo automático do ritmo esperado.
Comportamento do Mês Atual (M0)
Ao longo do mês, em vez de assumir um comportamento linear, considera-se o faseamento da demanda para definir um ritmo esperado de entrada de pedidos.
Previsão Definida por Semana
A demanda passada que não foi atendida é descartada em cada semana. Se na S4 ainda não vendeu nada, considera-se apenas a previsão de 40 (o esperado para aquele período).
Previsão Acumulando Demanda Não Realizada
A previsão não atendida é somada às semanas seguintes. Se na S4 ainda não vendeu nada, considera-se 100 (total do mês), pois a demanda ainda pode entrar nos últimos dias.
Conclusão
A escolha da metodologia deve ser ditada pela variabilidade específica da demanda e pelo horizonte de pedidos. Os principais critérios são:
- Variabilidade da demanda
- Horizonte de pedidos firmes
- Nível de maturidade do planejamento
- Disponibilidade de dados confiáveis (faturamento, pedidos, histórico)
Recomenda-se começar com algo simples (máximo entre previsão e pedidos) e ir incrementando complexidade conforme a maturidade da organização em gestão da demanda aumenta.